Um dia, houve uma pessoa - que hoje já não me diz nada - que afirmou convictamente que eu deveria seguir a carreira de actriz. Ri-me e descartei a ideia como algo de totalmente impossível. Mas, nos últimos tempos, tenho pensado bastante em como deveria ter seguido esse conselho. É que, aparentemente, tenho mesmo jeito para representar. Nem que seja no dia-a-dia da minha própria vida. «Oscar, Oscar!», aplaudiriam a minha irmã e o D. quando éramos crianças. Se eles soubessem...
Um dia, houve uma pessoa - que hoje já não me diz nada - que afirmou convictamente que eu deveria seguir a carreira de actriz. Ri-me e descartei a ideia como algo de totalmente impossível. Mas, nos últimos tempos, tenho pensado bastante em como deveria ter seguido esse conselho. É que, aparentemente, tenho mesmo jeito para representar. Nem que seja no dia-a-dia da minha própria vida. «Oscar, Oscar!», aplaudiriam a minha irmã e o D. quando éramos crianças. Se eles soubessem...
Talvez não seja a melhor opção; mas criar um mundo próprio na nossa mente e viver constantemente nele sempre nos poderá poupar alguns dissabores.
É como se fosse uma bolha que nos protege do exterior; não se trata necessariamente de ignorar o que se passa em redor, mas sim de encarar isso sob outra perspectiva. E sabe bastante bem.


«Amor platônico, na acepção vulgar, é toda a relação afetuosa em que se abstrai o elemento sexual, idealizada, por elementos de gêneros diferentes - como num caso de amizade pura, entre duas pessoas.
Esta definição, contudo, difere da concepção mesma do amor ideal de Platão, da qual surgiu a atual idéia grosseira, o filósofo grego da Antigüidade, que concebera o Amor como algo essencialmente puro e desprovido de paixões, ao passo em que estas são essencialmente cegas, materiais, efêmeras e falsas. O Amor, no ideal platônico, não se fundamenta num interesse (mesmo o sexual), mas na virtude.»

No sentido puro e original do termo, falar de paixões platónicas é um completo absurdo. Porém, é igualmente ilógica a utilização mais comum que as pessoas dão à filosofia do "amor platónico": um amor inalcançável, impossível, usualmente carregado de uma tremenda atracção física, sendo a generalização mais comum apenas correcta no que toca à idealização do sentimento.
Porquê essa incorrecção? Não faço ideia e pouco importa para o caso. Aquilo de que quero falar veio de uma conversa com a M. e a L. ontem à noite. A L. estava a falar de uma "paixão platónica" recente, ao que eu e a M. reagimos com uma gargalhada.
"Que tem?", perguntou a L.
"Paixão platónica é um bocado difícil, oh L.", respondeu a M. "Quanto muito, seria amor platónico".
Só que, surpresa, o que a L. queria dizer não se referia, de todo, a um sentimento de amizade pura, sem qualquer tensão sexual. Antes pelo contrário.
O que, em certa medida, lança a questão: existe ou não amor platónico? Seremos capazes de nos relacionar com o sexo oposto numa base de amizade pura, sem qualquer outro interesse - sexual ou não? Existe este amor idealizado? Teria Platão razão quando afirmava que o Amor se deveria basear na virtude e não nesses precisos interesses de naturezas diversas?
Do meu ponto de vista, Amizade e Amor são dimensões distintas, mas que, na minha opinião, não podem existir uma sem a outra. São necessariamente codependentes. Para mim, Amor sem Amizade não é amor, mas sim mera paixão; e a Amizade conflui inevitavelmente para um certo nível de Amor - somente não do mesmo género de Amor a que me refiro anteriormente.
Paixão existe sem Amor e Amor pode existir sem Paixão: mas não o género de amor que usualmente definimos por essa palavra na Língua Portuguesa (sem acordo ortográfico, já agora). Quando uma pessoa é realmente importante na nossa vida, claro que a iremos amar; mas não quer dizer que a amemos daquela determinada maneira. Pode, sim, ser o tal amor platónico. Puro, ideal, incondicional. Sem outros interesses anexados.
No entanto, o Amor, aquele Amor, nunca poderá conviver com o platónico. Como poderia? Talvez também possa ter o seu Q de pureza e até ser incondicional; mas ideal? Duvido. Não porque não acredite no Amor, não porque pense que as relações amorosas têm todas um prazo de validade - porque, apesar de tudo, não acredito. Mas, muito simplesmente, seria desafiar as Leis da Física. É pedir demasiado que tanto ocupe um mesmo espaço.
Amor - aquele Amor - implica uma partilha demasiado profunda, demasiado pessoal. Claro que há interesses, claro que há divergências, claro que se procura alcançar um ideal - e talvez até seja possível alcançá-lo, mas implica trabalho. Empenho. Esforço. Não se estala e ele aparece perfeito. Não é dotado, por natureza, do ideal.
Talvez não seja apenas inerente às relações amorosas, mas a todas as relações humanas; mas, quando estas se aproximam do Amor, existe necessariamente um esforço em busca do ideal. Mesmo na amizade. Se amamos, esforçamo-nos pelo ideal. Haja ou não interesses de outra natureza implicados.
[ You could claim that anything's real if the only basis for believing in it is that nobody's ever proved that it doesn't exist. ]


Por aquelas coisas que sempre conseguem fazer-nos sonhar.
( Como, por exemplo, o Josh Groban ter aquela voz magnífica e mesmo assim conseguir interpretar um dos totós mais adoráveis da História das séries televisivas. )
[ «Do you understand what I'm trying to tell you, Malcolm?»
«I think. You still believe in love.» ]

Certas coisas tocam-nos bem fundo nos nervos. Pessoas há a quem é a mal-educação, o cinismo, a ingratidão. Nos últimos tempos, a mim, tem-me incomodado particularmente a falta de coragem e de carácter de quem tinha em grande conta (não de toda a gente que tenho em grande conta, mal fosse. Mas de gente, vá).
Nem todos os momentos são fáceis. Quantas vezes nos surgem empecilhos que nos dão cabo da vida? Se formos a ver, a grande maioria desses obstáculos deve-se à existência de outras pessoas na nossa vida. Porque não estamos sós. E ainda que não considere que todos sejamos responsáveis pelos sentimentos de cada um, há um mínimo de decência que eu considero imprescindível naqueles que classifico genericamente de "boas pessoas" (infantil, eu sei).
Nem todos pensam ou sentem da mesma maneira. Por vezes, os sonhos e desejos de outras pessoas colidem connosco. Pensam o que não pensamos. Querem o que não queremos. Sentem o que não sentimos.
Para mim - opinião muito pessoal - a maneira como lidamos (ou não) com isso pode ser aquilo que nos distingue. Ou que nos torna igual a todos os outros.

Não: era isso que eu devia aprender a dizer.
Não. Uma palavra só, uma palavra simples, uma palavra sucinta, uma palavra directa. Uma palavra completa.
Não. Com mil e um motivos, com toda a razão.
Não. Não a mim, mas não aos outros.
Não. Nunca o digo a outrem, contudo digo-o constantemente a mim própria. Nego-me quanto me apetece.
Não. Não me apetece escarafunchar a ferida, deitar-lhe sal e induzir a dor.
Não. Começo a dizer não. Não a mim, mas aos outros.
Não. Há uma primeira vez para tudo…
Há sempre alguém a quem dizemos não.
Não.
“well, too much silence can be misleading…”


Londres. Um dia, Londres. Indubitavelmente. Um dia, hei-de viver em Londres ou pelo menos algures no Reino Unido.
Eles têm uma das cidades mais fabulosas do Mundo. Têm os campos mais fantásticos que se pode imaginar. Têm História, mas não se perderam no tempo. Têm classe e good manners, se sempre mantidas ou não, pouco importa - tal como não importa se a etiqueta britânica é demasiado austera. Eles conseguem manter um fio de História e de sentido de clássico ainda que procurem modernidade.
"There's nothing that can't be done if we raise our voice as one". (MJ)
..
A harmonia completa da voz, a incomparável dança. Independentemente de tudo o resto que procurem apontar-lhe, Michael Jackson é uma lenda, um ícone e irrefutavelmente um dos maiores artistas de todos os tempos. E, quem sabe, o maior..
Música: "Antes e Depois", Klepht

Está na altura de começar a mentalizar-me: acabei a licenciatura. Até escrever isto soa estranho e - não nego - chega a custar-me um bocadinho. Só um bocadinho...
...
Música: "Thinking Of You", Katy Perry Digam-me se não é isto que qualquer pessoa sã discute na véspera da última frequência na Universidade.
Chamem-me ingénua, mas talvez eu ainda acredite em contos de fada. Pode ser um grande defeito e não nego que expectativas demasiado altas já me deixaram mal umas quantas vezes. Mas, sinceramente... não consigo deixar de acreditar.

