Lorelai
Música: "On My Own", Katie Holmes (original Les Misérables)

Um dia, houve uma pessoa - que hoje já não me diz nada - que afirmou convictamente que eu deveria seguir a carreira de actriz. Ri-me e descartei a ideia como algo de totalmente impossível. Mas, nos últimos tempos, tenho pensado bastante em como deveria ter seguido esse conselho. É que, aparentemente, tenho mesmo jeito para representar. Nem que seja no dia-a-dia da minha própria vida. «Oscar, Oscar!», aplaudiriam a minha irmã e o D. quando éramos crianças. Se eles soubessem...


[ and i'm gonna miss you like a child misses their blanket but i've got to get a move on with my life. ]
Lorelai
Música: "Build That Wall", Aimee Mann

Talvez não seja a melhor opção; mas criar um mundo próprio na nossa mente e viver constantemente nele sempre nos poderá poupar alguns dissabores.

É como se fosse uma bolha que nos protege do exterior; não se trata necessariamente de ignorar o que se passa em redor, mas sim de encarar isso sob outra perspectiva. E sabe bastante bem.

Eu costumo ir vivendo em bolhas, sempre o fiz, desde que me lembro de ser gente. Iam sendo bolhas diferentes e tomaram todas as formas e feitios que se possam imaginar. Eram ilusões de criança, eram paixonetas de adolescente, eram objectivos quase impossíveis de alcançar. As minhas bolhas que me distraíam do resto e me iam mantendo a salvo.

Até que rebentavam. E aí comecei a aperceber-me que qualquer uma dessas bolhas era falível: por maior Síndrome de Peter Pan, somos obrigados a crescer; paixões têm prazo de validade, tal como os objectivos. E por muito que passe de bolha em bolha, naquele período em que estou "entre bolhas" torna-se algo complicado manter um rumo.

Daí que tenha começado a pensar que a melhor alternativa é mesmo construir paredes. Fortes, não espécie cabana de palha dos Três Porquinhos. Paredes, ao menos, iriam resistir a muito mais, por muito mais tempo. Protegem mais do que meras bolhas de sabão. E, caso se justifique com argumentos logicamente válidos, existe sempre a possibilidade de se construir uma porta de passagem, ou, pelo menos, uma pequena janela.



[ i don't wanna fall another moment into your gravity. ]
Lorelai
Música: "Gaivota", Amália Hoje


Num momento muito pouco gracioso da minha parte, vinha eu furiosa no metro, após inútil entrevista de emprego, quando deparo com um grupo de jovens, pouco mais novos do que eu, de caras pintadas e demasiado chegados numa das pontas da carruagem.

"PRÓXIMA ESTAÇÃO: RESTAURADORES!"

As praxes académicas. E o meu primeiro pensamento foi "que bela vida". E desejei poder voltar uns meses - quem sabe se não mesmo um ano - atrás. Há algo de muito mais descontraído na vida académica do que propriamente na perspectiva do mundo de trabalho. E a grande diferença que encontro não é mais senão uma vivência que se estabelece entre nós e os outros naquela altura, que talvez dificilmente voltemos a atingir noutra fase da nossa vida.

Talvez não seja simples. Não penso que, só por estarmos na escola ou na Faculdade, a nossa vida seja irremediavelmente mais simples e melhor. Só que, no meu caso, foi durante essa fase que melhor consegui entender a beleza das coisas simples. E sinto falta disso.

Ora, tendo tido estes pensamentos ao fim da manhã, chega a noite e leio o mais recente post da M.... e sorri. Não é a vida que, só por si, autorecreativamente, se torna complicada. Nós somos, em grande parte, sem qualquer questão, os responsáveis por a nossa vida ser tão complicada. Parece que, se não é, arranjamos uma forma de esta passar a sê-lo. Chega a ser exasperante. Mas continuamos a fazê-lo.

Eu cheguei ao meu limite de complicação. Expirou o saldo. A partir de agora, quero a minha vida a ser tão feliz quanto eu consigo sê-lo pelas coisas simples: são aquelas que mais valem a pena.

[ i've got myself together, now i'm ready to sing: i've been searchin' my soul tonight - i know there so much more to life. ]
Lorelai
Música: "Estate", Negramaro

Parece que agora é de vez: o Verão está definitivamente a gastar os últimos cartuchos. Para o ano há mais (talvez, que vida de mundo do trabalho e de estudante dá em ser meio imprevisível). Troca-se de estação e, porque não, de vida. Às vezes também é preciso.

Setembro é o mês de mudança, de inícios; pelo menos é isso que a M. me tem dito. Pois bem, que assim seja, até porque este Verão não foi daqueles mais espectaculares de sempre. Porém, cumpriu no que devia. Que mais se pode pedir?


. per quell'estate che vorrei potesse non finire mai.



[ come la realtà che incontra la mia fantasia. ]
Lorelai
Música: "Cool", Gwen Stefani

«Amor platônico, na acepção vulgar, é toda a relação afetuosa em que se abstrai o elemento sexual, idealizada, por elementos de gêneros diferentes - como num caso de amizade pura, entre duas pessoas.

Esta definição, contudo, difere da concepção mesma do amor ideal de Platão, da qual surgiu a atual idéia grosseira, o filósofo grego da Antigüidade, que concebera o Amor como algo essencialmente puro e desprovido de paixões, ao passo em que estas são essencialmente cegas, materiais, efêmeras e falsas. O Amor, no ideal platônico, não se fundamenta num interesse (mesmo o sexual), mas na virtude.»

in Wikipedia

No sentido puro e original do termo, falar de paixões platónicas é um completo absurdo. Porém, é igualmente ilógica a utilização mais comum que as pessoas dão à filosofia do "amor platónico": um amor inalcançável, impossível, usualmente carregado de uma tremenda atracção física, sendo a generalização mais comum apenas correcta no que toca à idealização do sentimento.

Porquê essa incorrecção? Não faço ideia e pouco importa para o caso. Aquilo de que quero falar veio de uma conversa com a M. e a L. ontem à noite. A L. estava a falar de uma "paixão platónica" recente, ao que eu e a M. reagimos com uma gargalhada.

"Que tem?", perguntou a L.

"Paixão platónica é um bocado difícil, oh L.", respondeu a M. "Quanto muito, seria amor platónico".

Só que, surpresa, o que a L. queria dizer não se referia, de todo, a um sentimento de amizade pura, sem qualquer tensão sexual. Antes pelo contrário.

O que, em certa medida, lança a questão: existe ou não amor platónico? Seremos capazes de nos relacionar com o sexo oposto numa base de amizade pura, sem qualquer outro interesse - sexual ou não? Existe este amor idealizado? Teria Platão razão quando afirmava que o Amor se deveria basear na virtude e não nesses precisos interesses de naturezas diversas?

Do meu ponto de vista, Amizade e Amor são dimensões distintas, mas que, na minha opinião, não podem existir uma sem a outra. São necessariamente codependentes. Para mim, Amor sem Amizade não é amor, mas sim mera paixão; e a Amizade conflui inevitavelmente para um certo nível de Amor - somente não do mesmo género de Amor a que me refiro anteriormente.

Paixão existe sem Amor e Amor pode existir sem Paixão: mas não o género de amor que usualmente definimos por essa palavra na Língua Portuguesa (sem acordo ortográfico, já agora). Quando uma pessoa é realmente importante na nossa vida, claro que a iremos amar; mas não quer dizer que a amemos daquela determinada maneira. Pode, sim, ser o tal amor platónico. Puro, ideal, incondicional. Sem outros interesses anexados.

No entanto, o Amor, aquele Amor, nunca poderá conviver com o platónico. Como poderia? Talvez também possa ter o seu Q de pureza e até ser incondicional; mas ideal? Duvido. Não porque não acredite no Amor, não porque pense que as relações amorosas têm todas um prazo de validade - porque, apesar de tudo, não acredito. Mas, muito simplesmente, seria desafiar as Leis da Física. É pedir demasiado que tanto ocupe um mesmo espaço.

Amor - aquele Amor - implica uma partilha demasiado profunda, demasiado pessoal. Claro que há interesses, claro que há divergências, claro que se procura alcançar um ideal - e talvez até seja possível alcançá-lo, mas implica trabalho. Empenho. Esforço. Não se estala e ele aparece perfeito. Não é dotado, por natureza, do ideal.

Talvez não seja apenas inerente às relações amorosas, mas a todas as relações humanas; mas, quando estas se aproximam do Amor, existe necessariamente um esforço em busca do ideal. Mesmo na amizade. Se amamos, esforçamo-nos pelo ideal. Haja ou não interesses de outra natureza implicados.


[ You could claim that anything's real if the only basis for believing in it is that nobody's ever proved that it doesn't exist. ]

Lorelai
Música: "I Write Sins Not Tragedies", Panic! At The Disco


Há pessoas que pensam que se podem safar com o que quer que seja. Eu estou a começar a sentir-me algo empenhada em mostrar-lhes que não é bem assim.


[ a sense of poise and rationality. ]
Lorelai
Música: "Searchin' My Soul", Vonda Shepard


«The funny thing I find about love is that it's the one game you lose without even playing it».
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Lorelai

Música: "My Love Is Your Love", Whitney Houston

Ontem fui à loja da Disney, no Colombo. Passei à porta e não resisti a entrar, porque (lamento se parecer ridícula) há qualquer coisa de mágico naquele ambiente. E eu estava a precisar de alguma magia.

E parece inacreditável, mas mal se entra é impossível não ficar imediatamente algo mais leve (pelo menos, falo por mim). O chão azul com pedacinhos brancos reluzentes, as letras na faixa electrónica da coluna central qual Times Square, as memórias de cada um dos desenhos animados que via repetidamente quando era criança, os peluches tão suaves ao toque, o meu pequeno mundo de fantasia. Sabe bem.

Mas melhor ainda soube ver um grupo de meia dúzia de catraios sentados no meio da loja, com as folhas e lápis de cor que lhes haviam dado, totalmente absorvidos nas suas criações de fantasia. Aposto que mal deram pela presença do empregado de loja que tinha ido buscar uma dúzia de balões para eles, com o ar mais feliz e mais infantil do mundo, mas que muito rapidamente compôs a sua postura de adulto profissional quando uma mãe lhe colocou uma questão sobre preços.
A conclusão a tirar disto, penso eu, é que, no fundo, no fundo, não passamos todos de crianças que sabem brincar aos grandes.


[ nos desenhos animados é raro chover e nunca, quase nunca acaba mal. ]
Lorelai
Música: "Gravity", Sara Bareilles


No meu placard de cortiça tenho espetada uma rosa seca. Na prateleira, junto ao rádio, um aviãozinho de papel. Dentro da carteira, anda sempre comigo a chave de um cacifo que há muito deixou de me pertencer (e cujo cadeado penso até já nem existir). Algures dentro de um dossier hei-de encontrar um desenho de umas quaisquer "ovelhas invertidas". Uma das minhas agendas em particular é um verdadeiro tesouro de frases perdidas no tempo. Até o meu carro me começa a parecer um monumento a memórias passadas.

São aqueles pedaços de pessoas que ficam connosco, cristalizados em objectos, em odores, em lugares, independentemente de se aqueles a quem nos fazem recordar continuam ou não na nossa vida. São autênticos "souvenirs" ou "recuerdos", mas não de locais e sim de seres humanos. Vão, por vezes, bem mais longe, recordando-nos cada detalhe de um momento ou até de um sentimento.

O que se faz com cada um destes lembretes é que verdadeiramente conta. Encontrarmos apenas um deles pode levar-nos da maior euforia à mais decadente melancolia ou vice-versa.

Tem-me acontecido isso, recorrentemente, com vários pedaços de alguém. Não que importe, mas era só para dizer.



[ every memory of looking out the back door, i have the photo album spread out on my bedroom floor. ]
Lorelai
Música: "You're Still You", Josh Groban


Por aquelas coisas que sempre conseguem fazer-nos sonhar.

( Como, por exemplo, o Josh Groban ter aquela voz magnífica e mesmo assim conseguir interpretar um dos totós mais adoráveis da História das séries televisivas. )






[ «Do you understand what I'm trying to tell you, Malcolm?»

«I think. You still believe in love.» ]
Lorelai
Música: "Fuck You", Lily Allen

Certas coisas tocam-nos bem fundo nos nervos. Pessoas há a quem é a mal-educação, o cinismo, a ingratidão. Nos últimos tempos, a mim, tem-me incomodado particularmente a falta de coragem e de carácter de quem tinha em grande conta (não de toda a gente que tenho em grande conta, mal fosse. Mas de gente, vá).

Nem todos os momentos são fáceis. Quantas vezes nos surgem empecilhos que nos dão cabo da vida? Se formos a ver, a grande maioria desses obstáculos deve-se à existência de outras pessoas na nossa vida. Porque não estamos sós. E ainda que não considere que todos sejamos responsáveis pelos sentimentos de cada um, há um mínimo de decência que eu considero imprescindível naqueles que classifico genericamente de "boas pessoas" (infantil, eu sei).

Nem todos pensam ou sentem da mesma maneira. Por vezes, os sonhos e desejos de outras pessoas colidem connosco. Pensam o que não pensamos. Querem o que não queremos. Sentem o que não sentimos.

Para mim - opinião muito pessoal - a maneira como lidamos (ou não) com isso pode ser aquilo que nos distingue. Ou que nos torna igual a todos os outros.


[ I'm sorry if you think that I'm being kinda mental but you left me in such a state... Now I'm gonna do to you what you did to me: I'm gonna reciprocate.

I never wanted it to end up this way... you've only got yourself to blame. ]
Lorelai
Música: "Goodbye Tomorrow", Silence 4


Não: era isso que eu devia aprender a dizer.
Não. Uma palavra só, uma palavra simples, uma palavra sucinta, uma palavra directa. Uma palavra completa.
Não. Com mil e um motivos, com toda a razão.
Não. Não a mim, mas não aos outros.
Não. Nunca o digo a outrem, contudo digo-o constantemente a mim própria. Nego-me quanto me apetece.
Não. Não me apetece escarafunchar a ferida, deitar-lhe sal e induzir a dor.
Não. Começo a dizer não. Não a mim, mas aos outros.
Não. Há uma primeira vez para tudo…
Há sempre alguém a quem dizemos não.
Não.


“well, too much silence can be misleading…”



[ 2 de Novembro de 2005. A prova escrita de que eu era bem mais inteligente aos 17 anos do que sou hoje em dia. ]
Lorelai
Música: "Break Me Shake Me", Savage Garden


Só dá para aguentar durante um certo tempo a ilusão de que somos felizes da forma como estamos quando pouco ou nada bate certo; que não é quem nos lixou que está a viver a vida que nós queríamos para nós próprios; que não estamos constantemente a adiar os nossos sonhos sabe-se lá bem porquê; que não perdemos aquilo que mais desejávamos por medos do Passado excessivamente enraizados no nosso ser.

Ocupar a mente e conduzir o corpo à exaustão. Inventar problemas onde eles não existem, fazer planos que jamais iremos realizar. E sonhar acordada a maior parte do dia, sem prestar qualquer atenção ao que se passa em redor.

São opções, alternativas à ilusão.

Ou então, lidar de frente com a realidade. Tomar as rédeas e guiar o nosso destino para onde queremos realmente ir.

Eu escolho a segunda hipótese.



[ and some things are the way they are and words just can't explain. ]
Lorelai
Música: "Every Breath You Take", The Police

Londres. Um dia, Londres. Indubitavelmente. Um dia, hei-de viver em Londres ou pelo menos algures no Reino Unido.

Eles têm uma das cidades mais fabulosas do Mundo. Têm os campos mais fantásticos que se pode imaginar. Têm História, mas não se perderam no tempo. Têm classe e good manners, se sempre mantidas ou não, pouco importa - tal como não importa se a etiqueta britânica é demasiado austera. Eles conseguem manter um fio de História e de sentido de clássico ainda que procurem modernidade.

Eles têm a Família Real, que, gostando-se ou não, sempre dá outro interesse às cusquices de uma Nação!

Eles têm a J. K. Rowling e são o país com algumas das melhores personagens fictícias de todos os tempos - e não, não apenas do Harry Potter; eles têm Shakespeare, for crying out loud! Têm o segundo sotaque mais sexy e viciante do planeta (desculpem, mas o primeiro lugar mantém-se para os Aussies). Eles têm o James Blunt, a Lily Allen e o James Morrison, tiveram as Spice Girls e os S Club 7 e, obviamente, tiveram os Beatles, os Police e o Sting, os Genesis e Phil Collins e o incontornável Rod Stewart... E mesmo ali ao lado têm os U2 na Irlanda. Eles têm o Simon Cowell, que tanto gozo dá odiar, e agora até têm o "estudo de caso" do fenómeno Susan Boyle.

Eles têm poise, têm um nível atraente de arrogância (e que a mim me faz tanta falta) e têm o relógio que dá as horas ao Mundo (ou assim crêem, embrenhados na sua auto-confiança). Eles têm o Big Ben, o London Eye, Covent Garden e Picadilly Circus, o Thames e o Harrods, Royal Albert Hall e Stonehenge. Têm mil marcos mais que poderia ficar a debitar dias a fio.

Eles têm o Times, o ténis e o chá das 5. Ah... e eles têm o Rupert Grint. And for me, enough is said.

E mesmo quando não prestam para nada... basta ouvir aquele sotaque britânico e tudo se esquece. Ou quase tudo, vá.



[ you might laugh, you might frown, walking round London town... ]
Lorelai
Música: "Thriller", Michael Jackson

Desde o dia 25 de Julho do presente ano tenho procurado palavras para transmitir os meus pensamentos e sentimentos em relação à perda de um ícone. Não as encontrei. Hoje, ao ver o belo Memorial que lhe foi concedido, com tanto coração, percebo que basta o que para mim guardei.

Quero apenas deixar aqui gravado o meu espanto e absoluta incredulidade por quem nunca entendeu o génio do Rei da Pop e por quem se recusa a reconher o seu valor, mérito e inovação sem precedentes no mundo da música. O que vale é que o legado de Michael Jackson fala por si só.



"There's nothing that can't be done if we raise our voice as one". (MJ)

..

A harmonia completa da voz, a incomparável dança. Independentemente de tudo o resto que procurem apontar-lhe, Michael Jackson é uma lenda, um ícone e irrefutavelmente um dos maiores artistas de todos os tempos. E, quem sabe, o maior..
.

"Thriller" («'cause this is thriller, thriller night!»), "Bad" («who's bad?»), "You Are Not Alone" («for I am here with you...»), "She's Out Of My Life" («and it cuts like a knife»), "Black Or White" («it doesn't matter if you're black or white»), "Remember The Time" («do you remember when we fell in love? we were young and innocent then»), "Earth Song" («what about all the things that you said was yours and mine?»), "Rock With You" («all night...»), "We Are The World" («we are the children...»), "I'll Be There" («just call my name»), "Beat It" («no one wants to be defeated»), "The Man In The Mirror" («and no message could have been any clearer: if you wanna make the world a better place, take a look at yourself and then make a change»), "They Don't Care About Us" («all I wanna say is that they don't really care about us!»), "Heal The World" («make it a better place, for you and for me and the entire human race»), "Billie Jean" («but the kid is not my son!»), "Will You Be There" («through my joy and my sorrow, in the promise of another tomorrow»), "Human Nature" («if they say 'why, why?', tell 'em that is human nature...») ....


....
Lorelai
Música: "Antes e Depois", Klepht

A vida deveria ser um romance de Jane Austen. Porque entre Frapuccinos de caramelo do Starbucks, bebés no parque de Belém e pessoas que se perdem à procura da A5, torna-se muito difícil manter a sanidade mental perante um Edward Ferrars quando não somos exactamente uma Elinor Dashwood.

E convenhamos que não é assim tão usual as Elizabeth Bennet deste mundo encontrarem realmente o seu Mr. Darcy. Pelo menos, não no meu mundo. Ou, pelo menos, não de forma simples e sem pensar antes umas mil vezes que o nosso Mr. Darcy, afinal, não passa de um Edward Ferrars comprometido com Miss Steele...




[ non senti che tremo mentre canto? nascondo questa stupida alegria quando mi guardi. ]
Lorelai
Música: "Right To Be Wrong", Joss Stone

Tenho uma tendência enorme para entrar em pânico se tenho decisões para tomar. O meu primeiro impulso é pedir a opinião de toda a gente - o que, não raras vezes, leva a um debate considerável entre as pessoas que questionei, debate esse subordinado ao tema "a minha vida". Coisa que, simplesmente, abomino. Mas o que abomino ainda mais é alguém tentar tomar as decisões da minha vida por mim.

Pedi opiniões, não pedi para decidirem por mim o que só a mim me compete decidir. E não, não admito falsos paternalismos nem o meu bem como justificação para qualquer atitude deste género ou afins.

A vida é minha. Posso cometer erros, mas esse é um direito que me assiste. Certamente encontrá-lo-ão algures na Constituição.



[ Don't tell me you agree with me when I saw you kicking dirt in my eye. ]
Lorelai
Música: "Drive", The Cars


Está na altura de começar a mentalizar-me: acabei a licenciatura. Até escrever isto soa estranho e - não nego - chega a custar-me um bocadinho. Só um bocadinho...

Que raio é que eu agora vou fazer da minha vida é que eu não sei. Mas toda a gente parece saber onde vai com a sua vida. Só que eu, neste momento... não sei. Não sei mesmo, de todo, em nenhuma vertente da minha insignificante existência. E isso torna-se meio assustador (mas não tanto como me andarem a falar de casamento e de ser mãe).

The pressure's on. Sei que as pessoas mais próximas de mim estão claramente à espera que eu tome uma decisão sobre o que vou fazer. E, do fundo do coração... acreditem que não há ninguém que mais gostasse de vos poder dar uma resposta.


...



... mas não posso.
Lorelai
Música: "Thinking Of You", Katy Perry

Véspera do teste de Direito e, por sinal, do Baile de Finalistas. Onze da noite. Conversa ao telemóvel com a L. - conversa algo estranha, refira-se. Do nada, totalmente vindo de parte alguma, ela vira-se e diz: "Cada vez tenho mais a certeza de que vais ser a primeira de nós a casar."

Silêncio deste lado da linha. De seguida, um qualquer som de agastamento e total incredulidade.

Do outro lado, a L. não desiste: "Juro-te. Hás-de encontrar alguém e vais mesmo ser a primeira a casar. Tenho a certeza".

Digam-me se não é isto que qualquer pessoa sã discute na véspera da última frequência na Universidade.

E o mais assustador de tudo é que, nem 24 horas depois, umas três pessoas, no dito baile de finalistas, em momentos totalmente diferentes, sem saberem do que os outros tinham dito, começam a falar do quão maternal sou ou estou e que mãe fantástica eu hei-de ser. E isto, lamento informar, sem qualquer ponta de ironia. Tal como a voz da L. na noite anterior, sem qualquer ironia e com o maior tom de certeza.

Expliquem-me. Digam-me que raio anda a passar por estas mentes. Porque eu não compreendo. E cada vez ando mais longe de perspectivas de casamento, portanto, peço apenas... expliquem-me.
Lorelai
Música: "When We Are Together", Texas

Chamem-me ingénua, mas talvez eu ainda acredite em contos de fada. Pode ser um grande defeito e não nego que expectativas demasiado altas já me deixaram mal umas quantas vezes. Mas, sinceramente... não consigo deixar de acreditar.

Não será necessariamente em contos de fada; só tenho certas perspectivas de vida as quais não me entra na cabeça, de todo, que sejam impossíveis. Tal como a questão de duas pessoas "ficarem casadas e apaixonadas durante 30 anos". Ou que, "depois de se ter", o interesse se vai para parte incerta e não nos resta grande opção mais senão ser infeliz ou partir para outra.

Talvez eu seja uma idealista. Aliás, talvez, não: de certeza. Sou-o, das pontas do meu cabelo à unha do dedinho do pé. Mas, estupidamente ou não, acredito no amor e em todas essas boas sensações, e acredito que elas não sejam como o leite do dia, com prazo de validade. E não é que tenha os melhores exemplos à minha volta - antes pelo contrário - mas, bloody hell, that's just the way I'm wired.

Daqui a uns 30 anos, falamos... mas, por enquanto, é assim que me mantenho: ingénua, a pensar na casinha nos subúrbios com cerca branca, o golden retriever (ou o pastor alemão, aliás) aos meus pés, chávena de café quente na mão e o meu marido ao longo de 30 anos sentado ao meu lado. E sim, se estão a questionar-se, ele veio buscar-me no seu cavalo branco e trouxe no bolso do casaco o meu sapatinho de cristal.