Música: "Christmas Wrapping", The Waitresses
Este ano, o Natal vai ser diferente. 24 de Dezembro chegou sem me dar tempo para o sentir chegar. Os dias foram passados a trabalhar, até ao último segundo. A família não vai estar completa à mesa da consoada - nem sequer no almoço de Dia de Natal. Sinto-me a dizer adeus aos melhores amigos de sempre, sem termos completamente a noção de que as coisas vão mudar. Falta o conforto quente no coração. As prendas que eu gostaria de receber não podem ser embrulhadas e colocadas debaixo de uma árvores, independentemente das luzinhas brilhantes que a iluminam.
Este ano, o Natal é diferente. Talvez porque eu esteja diferente, talvez porque o ambiente à minha volta continue a mudar - quer eu queira, quer não. O Natal vai ser diferente e o que se deseja é que, mesmo que mal amanhado, seja o mais feliz e o melhor que se possa ter. Com a esperança de que, para o ano, as coisas mudem novamente, mas para melhor.
Feliz Natal.
[ Merry Christmas! Merry Christmas... but I think I'll miss this one this year. ]
Música: "Shake It Out", Florence + The Machine
Mesmo quando não se quer, as coisas mudam, as perspectivas alteram-se, o que julgáramos certo não o é mais e aquilo que sempre havíamos tido como impossível, acontece. Imprevistos, boas notícias, fatalidades, tristezas e alegrias, planos e objectivos, relações e amizades. Nada é, na realidade - de facto - certo e seguro. E um tudo pode ser um grande nada, algo que nos preenche pode ser igualmente aquilo que nos esgota.
As coisas mudam. A vida não é linear. Uma recta nem sempre é a direito e tantas curvas há que são bem mais certas do que um caminho traçado minuciosamente.
Mas até quando valerá a pena agarrarmo-nos a um sonho que sabemos que nunca virá a ser real...?
[ too much of something is bad enough, but something's coming over me to make me wonder - too much of nothing is just as tough. ]
Música: "Waiting On The World To Change", John Mayer
Once upon a magic world, everyone was happy. There was no sadness, no hunger, no fights, no illness, no selfishness, no wickedness, no disrespect, no greed, no grim stupidity.
Once upon a magic world, all there was to it was kindness, goodness, contentment and joy; healthy ambition towards a better life for everyone, pure curiosity and thankfulness for every single new day we experience.
Once upon a magic world...
[ you may say i'm a dreamer - but i'm not the only one. ]
Música: "Cedo O Meu Lugar", Mesa
Não me sinto mais eu, não penso mais senão em ti. Não te posso ter, mas já não me tenho a mim. Por desejar ter tudo, acabei com nada. Brinquei às emoções até que o jogo deixou de ter piada. Aventurei-me sem medidas de precaução, acabei com arranhões e nódoas negras bem feios. E a história acabou sem nunca ter começado - com o pequenho detalhe de que levou com ela um grande pequeno pedaço de mim.
[ ... mas a seguir peço para voltar. ]
Música: "Don't Speak", No Doubt
É muito complicado quando se descobre algo que se quer muito, mas que não se pode ter. Ainda mais quando nos apercebemos que, antes de descobrirmos esse algo, éramos felizes sem ele; mas, que agora que sabemos que ele existe (e que não o podemos ter), é como se já não conseguissemos viver senão num constante contentamento descontente.
[ how do I get better once i've had the best? ]
Música: "Je Ne Sais Pas", Joyce Jonathan
Há bem muito tempo (mas lembro-me como se tivesse sido ontem), discutia com um amigo o facto de, a partir daquele momento, a nossa vida passar a ser uma espécie de incógnita em perpetuidade. Já não iria haver aquele esquema organizadinho de pré-primária, primária, liceu (ou Ensino Básico), Secundário, entrada na Faculdade. Quando chegou o fim da licenciatura, a questão era simples: e agora?
Esse "agora" foi ao ritmo e ao sabor da vida. Tal como já acontecera antes, não mantive o esquema organizadinho que começara a delinear (old habits really do die hard). Acabei por ir ter ao mesmo sítio, mas apenas no momento em que era esperada. E foi das melhores experiências da minha vida.
O "agora" deste momento, esse, continua a ser uma incógnita - talvez não em perpetuidade, mas até à próxima aventura. À qual se seguirá um outro "agora" incognito. Na altura em que falei disto com esse amigo, há tanto tempo, assustava-me essa perspectiva; hoje em dia, acho que já não conseguia viver com o plano cuidadosamente delineado, para ser seguido à risca.
Gosto desta incógnita, seja ou não em perpetuidade.
[ quando tira un pò di vento che ci si rialza un pò - e la vita è un pò più forte del tuo dirle "grazie no". ]
Música: "Change Is Hard", She & Him
Existem mil fragmentos e pequenas peças de puzzles há muito perdidos que me recordam pessoas de há muito tempo - e que há muito tempo saíram da minha vida. Não me fazem falta; não no verdadeiro sentido da palavra. Às vezes dá uma pontada de saudade - um calafrio de nostalgia - mas não me toca na pele, não me toca no coração.
Mesmo assim, continua a ser muito bom encontrar um desses fragmentos, uma dessas peças de puzzle, para me lembrar dos momentos que partilhei há tantos anos com alguém que, pelo menos naquela altura, foi tão especial para mim. Uma foto parada no tempo, um desenho perdido numa folha mal amanhada, uma mensagem esquecida no telemóvel antigo. Para recordar momentos, mas muito mais para me relembrar que essas pessoas me mudaram, me guiaram para um sítio diferente, me deram uma nova perspectiva, me deram sorrisos e algo com que sonhar.
E isso vale e continuará a valer, por muitos anos que passem. Não há amizades perdidas, apenas amizades que por vezes são de uma época e local somente, para aí ficarem - e na nossa memória.
[ old habits die hard when you've got a sentimental heart. ]
Música: "Easy", Faith No More
Um dia destes, vi uma rapariga num parque lisboeta à hora de almoço. Estava sozinha, a comer sushi. A certa altura, o rolo de sushi desfez-se e foi uma grande bagunça. A rapariga, sozinha, riu-se; limpou o molho de soja que lhe tinha escorrido para as mãos e continuou a comer os bocadinhos de arroz com os dedos, absolutamente impávida e serena. Levantou a cabeça para o Sol, fitou o céu e os seus olhos sorriram. Estava perfeitamente de bem com a vida.
Tive inveja dela. Quero ser essa rapariga, todos os dias, e sentir a mesma leveza de ser que ela transmitia.
[ i wanna be free - just me. ]
Música: "Dare You To Move", Switchfoot
Apetecia-me ir para longe, para poder afastar-me de tudo aquilo que não me deixa alcançar completamente aquela serenidade que procuro. Entrar num avião e partir para algum lugar distante, onde eu fosse a minha única preocupação no Mundo inteiro.
Como as coisas não funcionam bem assim, como o Mundo (esse sacana!) não pára só porque eu assim o entendo, vou ter que encontrar uma forma de encontrar essa serenidade aqui mesmo. No meio de toda a tumultuosa confusão que insiste em perseguir-me; assim, pelo menos, sei que quando der de caras com a dita serenidade, ela será feita de uma matéria bem mais forte e durável do que qualquer bolha de sabão que eu possa alimentar.
[ to be with myself and center; clarity, peace, serenity. ]
Música: "Andadas", Melendi
A solidão pode tomar as mais diversas formas. Ainda que a solidão de se estar de facto sozinho tenha o peso que tem, vim a aperceber-me que a solidão que mais me incomoda é a solidão de quando se está no meio de muita gente - de quem até gosto, com quem até me sinto bem - mas que desconhecem algo fulcral que se passa dentro de mim.
Nos últimos anos fui aprendendo a disfarçar o que me vai cá dentro, a esconder dos outros quando não estou bem. Construí uma espécie de muralha; não penso que seja demasiado forte, mas é o suficiente para manter os outros distantes do que me vai na alma. Até agora, são extremamente raras as pessoas que abriram caminho através dessa muralha.
E então vou andando na minha vidinha normal, muito happy go lucky, sem falar do que pesa dentro de mim, a guardar tudo muito quietinho cá dentro, a sentir-me como um móvel a ser lentamente corroído por bicho-da-madeira, ocultando de todos (por vezes, até de mim mesma) o que me faz um pouco mais triste a cada dia que passa.
Torna-se um pouco solitário. But who cares?
[ 'cause no one told me not to fall in love - no one gave me such advice. ]
Música: "Not There Yet", Luísa Sobral
Se há coisa em que sou muito tipicamente portuguesa, é naquela pequena questão muito peculiar das saudades. Tenho saudades quase sempre, de quase tudo; quando estou a ter um momento realmente feliz, sou capaz de sentir saudades quase que por antecipação. Sou assim, que hei-de fazer? Pode não ser muito saudável, mas é a forma como fui construída; desisti de combatê-lo, decidi abraçá-lo.
No meio de tantas saudades, existe algo em particular que, quando desaparece, me deixa realmente umas saudades tremendas: eu própria - melhor dizendo (o meu egocentrismo ainda não chega a tanto), a noção de quem eu sou. É demasiado fácil perdermo-nos no meio dos outros e, enfim, no meio da vida que corre ao nosso lado sem darmos por ela.
O último ano teve provavelmente dos melhores momentos que tive na minha vida; são memórias que ficarão para sempre. Mas no meio de tanta vida, perdi-me algures; agora é tempo de me reencontrar.
[ when you're dreaming with a broken heart, the waking up is the hardest part. ]
Música: "Every Ship Must Sail Away", Blue Merle

Zooey Deschanel and Joseph Gordon-Levitt
«This is a story of boy meets girl. The boy, Tom Hansen of Margate, New Jersey, grew up believing that he'd never truly be happy until the day he met the one. This belief stemmed from early exposure to sad British pop music and a total mis-reading of the movie 'The Graduate'.
«The girl, Summer Finn of Shinnecock, Michigan, did not share this belief. Since the disintegration of her parent's marriage she'd only loved two things. The first was her long dark hair. The second was how easily she could cut it off and not feel a thing».
from «500 Days Of Summer»
Música: "Ironic", Alanis Morissette

Quebraste-me a minha predisposição para a escrita. E, de todas as coisas que levaste, é essa a que me faz mais falta.
[ it's like ten thousand spoons when all you need is a knife. ]
Música: "The Reason", Hoobastank
Falta. Falta-me. Não sei exactamente o quê, mas falta-me.
Saudades. Nem sei bem de quê, nem de quem; mas tenho saudades.
Dele. Ou dele. Talvez de ambos e de mais algumas pessoas. De outra vida. De cenários desfeitos numa noite de tumultuosa tempestade, máscaras levadas pela chuva, palavras fugidas com o vento.
Tempos mais fáceis, ou nem tanto, mas que não mais voltam. Porque o que foi não volta a ser, mesmo que muito se queira. Ar, ar em abudância e sem me querer saltar do peito. Aquela alegria, aquela esperança infantil em algo melhor. Inocência, ignorante inocência.
Falta. Falta-me. Não sei exactamente o quê, ou quem... mas falta-me.
[ acredito e entendo que a estabilidade lógica de quem não quer explodir faça bem ao escudo que és. ]
Música: "I Don't Know You Anymore", Savage Garden
I've found almost everything ever written about love to be true. Shakespeare said "Journeys end in lovers meeting". What an extraordinary thought. Personally, I have not experienced anything remotely close to that, but I am more than willing to believe Shakespeare had.
I suppose I think about love more than anyone really should. I am constantly amazed by its sheer power to alter and define our lives. It was Shakespeare who also said "love is blind". Now that is something I know to be true. For some, quite inexplicably, love fades; for others, love is simply lost. But then, of course, love can also be found, even if just for the night.
And then, there's another kind of love: the cruelest kind. The one that almost kills its victims. Its called unrequited love. Of that I am an expert. Most love stories are about people who fall in love with each other. But what about the rest of us? What about our stories, those of us who fall in love alone? We are the victims of the one sided affair. We are the cursed of the loved ones. We are the unloved ones, the walking wounded. The handicapped without the advantage of a great parking space! Yes, you are looking at one such individual.
Iris, «The Holiday»
Música: "Look What You've Done", Jet
Em certos dias, tenho para mim que o amor é mais ou menos como um OVNI. Nunca se conseguiu provar que existe de facto, ainda que haja uma série de indícios e milhentas teorias da conspiração que afirmam que sim. Uma data de gente dedica toda a vida à sua busca. Mesmo quando visto com os próprios olhos, é difícil convencer a nossa mente do que se acabou de ver. Nunca, excepto num acto da mais pura fé, se acredita que nos pode acontecer a nós próprios sermos testemunhas de tal facto. E quando se pensa que a tal ideia inconcebível se tornou, na realidade, um facto, chegam-nos novas provas, indiscutíveis e finalíssimas, de que o que era pura ficção científica nunca passou disso mesmo.
[ the world scares you, so you wrap it up neatly in bonds of reason, education and proof. all riddles are solvable to you, except for one. the riddle you can't solve is how somebody could love you. ]
Música: "Defying Gravity", Lea Michele e Chris Colfer

Quer-se o tempo a passar depressa e o ponteiro dos segundos arrasta-se. Quando estamos a ter um momento perfeito, parece que ele se escapa velozmente. Há vezes que os minutos parecem horas, outras que meses se assemelham a segundos. O tempo chega e instala-se quando não lhe damos valor e, assim que reparamos como ele é importante, pega em armas e bagagens e desaparece sem dar tempo para proferir um mero "adeus, até qualquer dia".
Na ânsia de se chegar a qualquer lado, passa-se ao lado de muita coisa. Até se chegar aos 18 anos não se pensa noutra coisa - a nossa cabeça são planos e mais planos para quando formos "crescidos". E o tempo que não passa.
Depois dessa barreira, é ver o tempo a apressar-se como se não houvesse amanhã. Mas há sempre um amanhã, mesmo que um amanhã com sabor a ontem. E o tempo que se esvai e os planos que se esvaem com ele e os sonhos a ficarem perdidos entre um ponteiro e o outro e nós a querer parar o tempo e ele a seguir caminho, imperturbável. Tique-taque, tique-taque.
[ time goes by so slowly for those who wait. no time to hesitate. ]