Lorelai
Música: "It's The End Of The World (As We Know It)", R.E.M


"If you knew this was your last day on earth, how would you want to spend it?"



... got me thinking.



[ The world of pretend is a cage, not a cocoon. ]
Lorelai
Música: "Rewind", Paolo Nutini

I'm in a rather British mood today. I wouldn't possibly know the reason why, it's just a simple fact - I'm in a British mood. Some say that the British are dull or cold or antipathetic – funnily enough, England (London to be more specific) has always been the place where I’ve pictured myself living in (an obvious exception made to my heart homeland). Well, this doesn’t have the slightest logic and I’m going way off the road here.

British mood or not, angry or sad or simply numb… I’m getting a smidgen tired of people, to be honest. I am sorry; that isn’t accurate at all. I’m tired of mean people – who, let’s face it, constitute a rather large part of the world’s population (unfortunately…). Or that’s just the way I see (for today, at least).

It’s just… I mean, honestly: why are people mean, why would someone like to be evil, to see others down and glee with that or even be the responsible for other people’s misery (and held it as the main activity of their daily life, as a matter of fact)? It really doesn’t make any sense at all to me. It’s not playing dumb; it’s not pretending to be innocent; it’s not trying to believe I’m oh-so-good and everyone else is just Lucifer in modern clothing. It’s just stating a fact: there are too many wicked people – and who enjoy being so. And I seem to have the misfortune to meet a few too many – or perhaps I just pay far too much attention to them. Now there’s something clever (especially because, after all… I’m writing about them, ain’t I?).

Breathe. Let it all out and remember one precious thing – there are good people too. And I’m quite aware I’m well lucky in knowing a couple of those too – above all, due to the fact that they are so extremely rare. To all of those people, even if they don’t know I’m saying this to them: thank you.

I’m just far too annoyed by “evilness” in people. And sleepy. Whatever.




[ "sempre chegamos ao sítio onde nos esperam". ]
Lorelai
Música: "Big Girls Don't Cry", Fergie


O Dia Deu em Chuvoso

O dia deu em chuvoso.
A manhã, contudo, esteve bastante azul.
O dia deu em chuvoso.
Desde manhã eu estava um pouco triste.

Antecipação! Tristeza? Coisa nenhuma?
Não sei: já ao acordar estava triste.
O dia deu em chuvoso. Bem sei, a penumbra da chuva é elegante.
Bem sei: o sol oprime, por ser tão ordinário, um elegante.
Bem sei: ser susceptível às mudanças de luz não é elegante.
Mas quem disse ao sol ou aos outros que eu quero ser elegante?
Dêem-me o céu azul e o sol visível.
Névoa, chuvas, escuros — isso tenho eu em mim.

Hoje quero só sossego.
Até amaria o lar, desde que o não tivesse.
Chego a ter sono de vontade de ter sossego.
Não exageremos!
Tenho efetivamente sono, sem explicação.
O dia deu em chuvoso.

Carinhos? Afectos? São memórias...
É preciso ser-se criança para os ter...
Minha madrugada perdida, meu céu azul verdadeiro!
O dia deu em chuvoso.

Boca bonita da filha do caseiro,
Polpa de fruta de um coração por comer...
Quando foi isso? Não sei...
No azul da manhã...

O dia deu em chuvoso.


Álvaro de Campos, in "Poemas"
Lorelai
Música: "Te Busqué", Nelly Furtado feat. Juanes

O ar pela rua fica logo com um aroma diferente, as pedras da calçada ganham aquele brilho após os chuviscos típicos do Outono, voam em turbilhão as tristes folhas caídas. O frio enregela, os dias parecem encurtar, as gotas de chuva não se silenciam lá fora. Cá dentro, a lareira já aquece, aquele momento meio hipnotizante do fogo a arder. Pela rua, podem ver-se aqui e ali decorações de Natal, ainda que este esteja a uma distância considerável. Sabe bem aconchegarmo-nos no casaco quentinho e no cachecol fofinho enquanto andamos pelos passeios a rebrilharem sob a chuva. Um raio de sol, por mais ínfimo e fugaz que seja, dá um sabor especial por entre as nuvens cerradas. De modo algo antitético, tudo parece brilhar de forma mais intensa nestes dias mais escuros e frios. Uma voz de esperança.

Cheira a Inverno… e eu gosto.




[ At the end of the day, faith is a funny thing. It turns up when you don't really expect it. It's like one day you realize that the fairy tale may be slightly different than you dreamed. The castle, well, it may not be a castle. And it's not so important, happy ever after, just that it's happy right now. See once in a while, once in a blue moon, people will surprise you, and once in a while people may even take your breath away. ]
Lorelai
Música: "Quelqu'un m'a Dit", Carla Bruni

Há um facto na vida da maioria das pessoas que não deixa de ser curioso: parece que temos sempre uma tendência inevitável para nos focarmos naquilo que nos sucede de mau ou no que de mau aparece à nossa volta, em vez de dedicarmos uns minutos mais de atenção ao que temos de bom. Parece-me, no mínimo… uma estupidez. E não estou a fazer uma crítica ou algo do género, porque sei bem que também o faço (e em demasia). É mera observação. Só que, vendo bem, o que é que retiramos disso? Vale de alguma coisa? Resolvemos os problemas deixando-os consumirem toda a nossa energia?

Recentemente, acendeu-se uma luz no meu cérebro e eu fui esperta o suficiente para fazer o que era melhor para mim; e, na verdade, era o único caminho inteligente a tomar. Fui criticada, houve quem não compreendesse; porém, senti um peso brutal ser-me retirado dos ombros e passei a respirar muito mais livremente. Então porquê sentir-me mal com o que os outros dizem ou fazem?

Digo isto para me convencer a mim própria, embora saiba bem que são tentativas fúteis. Contudo, convém sempre tentar e ver então depois os resultados.


[ in bilico tra tutti i miei vorrei, non sento più quell’insensata voglia d’equilibrio ]
Lorelai

Música: "Till The End Of Time", Justin Timberlake

Mais do que escrever por gosto, às vezes dou por mim a escrever por necessidade. Este é um desses momentos. Em tempos, este espaço foi hermeticamente fechado, pertencia-me a mim e a mim só. Por motivo algum em particular, decidi ter esta caixa de sapatos virtual sem a mostrar a mais ninguém. As primeiras pessoas a pousarem os olhos sobre as linhas que aqui fui deixando foram absolutos estranhos para mim; as suas palavras de apoio e incentivo não têm preço e significaram mundos para mim. Hoje, este blog é um espaço demasiado público para aqui escrever como fazia no início da sua existência.

Porém, há um interessante paralelismo entre este blog e a minha vida actual: o que sinto, o que vivo, é meu e só meu, não o mostro a mais ninguém; tal como o facto de este blog ter sido em tempos um espaço "invisível", isto tem pontos positivos e negativos... sendo o mais negativo precisamente o facto de me sentir invisível eu mesma, àparte o efeito explosivo eminente de ir guardando tudo cá dentro.

I don't know why I'm writing this...
Lorelai

Música: "Honey Honey", ABBA



Como é bom sair à rua e ter o mundo na palma da nossa mão, pela simples razão de que decidimos que a nossa vida vale só por si. Sem problemas, sem tristeza, apenas um bem-estar algo irracional e um sorriso estúpido na cara.


. Zen =)



[ "I grew up!" .... "Well, grow back down then!" ]
Lorelai
Música: "My Boo", Usher featuring Alicia Keys



Nunca fomos as personagens principais em nenhuma das histórias. Talvez por isso as coisas não tenham corrido de forma diferente.


["there's always that one person that will always have your heart".]
Lorelai
Música: "Why Does It Always Rain On Me", Travis



Gosto de dias fofos.

Se os virem, avisem.




[Quero uma biblioteca igual à que o Monstro dá à Bella n'«A Bela e o Monstro»..]
Lorelai
Música: "Bad Day", Daniel Powter


Saudades de pessoas e momentos há muito idos (ou que talvez nem nunca tenham sido) quando o que se vive no Presente parece falhar e cansar o coração.



[Um sorriso nem sempre é um sorriso.]
Lorelai
Música: "Cannonball", Damien Rice

Tenho dias de fúria de querer largar tudo, esquecer rotinas, cafés matinais e chaves do carro, semáforos e cartões de crédito, sustos e medos, manias e desejos, hábitos e melancolias, portas de casa e elevadores. Tenho fúrias de querer meter-me pela 2ª Circular, chegar ao Aeroporto de Lisboa, pegar num bilhete de avião e ir sem mais delongas para qualquer sítio – qualquer sítio que não aqui.

Perco tempo a maquinar e inventar – a imaginar e a sonhar, no fundo – onde poderia ir, o que iria ver, o que viveria e conseguiria mais tarde contar. Ir, só por ir, só porque posso, só porque quero. Só porque não sinto que nada me prenda senão insignificâncias ou imposições cuja origem desconheço em absoluto.

E isso não me soa a motivo suficiente. Possivelmente porque não o é. Aliás, certamente porque não o é.

Então bem que podia pegar no carro neste exacto momento, meter-me pela 2ª Circular, chegar ao Aeroporto de Lisboa, pegar num bilhete de avião e voltar para Itália ou mesmo para Londres, a minha cidade de todos os sonhos… Ou qualquer outro lugar. Podia ir para Nova Iorque, podia ir para qualquer sítio na Austrália, podia ir estender-me numa praia brasileira.

Podia. Ou será que podia? Não o faço…

Até que ponto podemos realmente fazer o que queremos?



[ É do género o Carcavelinhos do Sul querer ganhar a Liga dos Campeões. ]

Lorelai
Música: "Pieces Don't Fit Anymore", James Morrison

Há dias em que, muito simplesmente, um pouco de Sol, mesmo que escondido atrás de umas nuvens de aspecto duvidoso, unido a um bom livro (espécie 'No Dia Em Que Fugimos Tu Não Estavas Em Casa', do Fernando Alvim) e ainda agraciado com um iPod a transbordar de boa música (ou ouvir os passarinhos a cantar) chega para deixar uma pessoa feliz. Pelo menos, para me deixar a mim feliz. E há outros que não. E há dias em que, apesar disso tudo reunido, apesar de haver aquela sensação de plenitude e paz interior... isso tudo acaba por ser insuficiente e aquele espacinho dentro de nós, por muito ínfimo que seja, não se cala e não pára de refilar que precisa de ser satisfeito. Só não nos diz é como fazê-lo.

Não sei se faz parte da natureza humana em geral ou não, mas sei que faz parte de mim esta insatisfação constante. Alguns podem achar que sou simplesmente chata, outros que sou louca, outros que não tenho mesmo é nada melhor para fazer; e talvez tenham todos razão. Mas em certos dias não consigo calar aquela voz irritante que me diz que nada do que tenho vale coisa que seja. E aí dá-me aquela moleza da tristeza desmoralizada. Mas, às vezes, também me dá para pensar que se calhar podia mexer o meu traseiro para fazer alguma coisa para alcançar o que quer que seja que penso que me falta. Não sei bem o que é, não sei bem como é que o vou conseguir (logicamente, porque não podia ir atrás do que nem conheço). Mas sei que me apetece fazer um plano para sair do ciclo vicioso (e viciante) em que caí.

Sinto que estou a desperdiçar a minha vida - a tal que não tenho - com... bem, nada. Ando a deixar os dias escorrerem sem sequer parar para tentar que eles tenham alguma coisa de diferente, de especial. Algo que me faça sentir mais perto do que quer que seja que irá preencher aquele vaziozinho irritante que nunca se cala, nem mesmo à noite.



"Para Ti,


"Gosto de coisas tristes mas contentes. Não disse isto, desculpa, o que quero dizer é que gosto de coisas felizes mas tristes.

(...)

"A minha paixão por ti é estar numa fila imensa com meninos mais bonitos que eu, bem melhor tratatados, mas mesmo assim, fazendo tudo para que me escolhas a mim e me leves para fora. Porque é a ti que eu quero e a mais ninguém. E mesmo quieto, estou aos saltos cá dentro quando te vejo, mesmo mudo, estou a gritar para que me leves daqui, mesmo aqui, entre todos, faço força com os olhos para que fiquem maiores à tua passagem. E mesmo que não me leves desta vez, fico à espera de outra, e mais outra, até ao dia, em que não sobra mais ninguém, em que só estou eu ali, sozinho, sem mais meninos bonitos, sem mais nada, quase nú, por deus, com uma roupa velha e suja, à espera que me agarres. E se não o fizeres mesmo assim, quero que saibas que dali não saio sem ti, mesmo que ali fique, para sempre, toda a vida, na certeza de que não me vendi a outro alguém, na esperança de que tu voltes. Porque é o teu regresso que me importa, porque é esse bocadinho em te vejo que me faz ficar de lágrimas nos olhos mas contente cá por dentro. Porque é mesmo isto, é mesmo isto que eu penso, a mais bela das tristezas é a felicidade com lágrimas nos olhos."


'No Dia Em Que Fugimos Tu Não Estavas Em Casa', Fernando Alvim
Lorelai
Música: "I'll Be Waiting", Lenny Kravitz

Não gosto mesmo nada da sensação de não estar bem e ninguém sequer reparar, quanto mais preocupar-se. Não gosto da sensação de estar sozinha no meio de gente. Não gosto de quando deixo de apreciar a minha solidão, que sempre me foi tão querida. Não gosto de não gostar, não gosto de não estar zen, não gosto de não me sentir 'eu'. Não gosto de me sentir a fugir, nem eu sei bem do quê.

Mas não gosto.

Gostava de quando acreditava em Príncipes e Fadas, em sapatinhos de cristal e em histórias de Amor. Gostava de quando os dias de chuva não me traziam melancolia e tristeza, mas apenas aquela sensação quente de querer passar o dia embrulhada numa manta, sentada no sofá, a ver televisão e a comer chocolates - comê-los por mero gosto e não como compulsão melancólico-depressiva. Gostava de quando não inventava palavras e me limitava a ver as coisas de modo simples.

Gostava de deixar de acreditar que, um dia, vou voltar a acreditar nisso tudo e muito mais. Gostava que isso acontecesse, porque o pedaço de ilusão que não sai de dentro de mim começa a irritar.
Lorelai
Música: "Vieni Da Me", Le Vibrazioni


'Não tens vida, realmente.'

'Eu sei. Importas-te de não estar sempre a repetir o mesmo?'

'Repito e hei-de repetir as vezes que forem precisas.'

'Para quê?'

'Para saires e arranjar uma.'


...



Há um ano atrás, estes diálogos eram quase diários - ou, no mínimo, semanais. É um bocado triste quando paro a pensar nisso, mas é verdade inegável: eu não tenho vida. E isso é uma grande treta.

Os meus dias são passados a viver a vida dos outros - ou a viver através de algo. São as vidas dos meus amigos que eu vivo - ou, se preciso for, até a vida de pessoas que nem conheço propriamente. Não importa, o que interessa, no fundo, é sentir, ainda que seja sentimentos que pertencem a outrem, só para me assegurar de que ainda sou capaz de tal - de sentir.

E é fácil falar: 'arranja uma vida'. Posso dizê-lo 300 vezes à primeira pessoa que me passar na rua. E então? Disse-lhe por acaso onde é que ela pode ir arranjá-la? Já agora, onde é que se arranja uma vida? Há uma loja especializada, um número de telefone ou um website através dos quais possamos encomendar? É só dizerem-me, eu faço isso e arranjo uma vida. Mas não é assim tão fácil, pois não?

Só que expliquem-me, então, que raio é preciso fazer para ter uma vida. Porque eu até que gostava de ter uma - sei lá, bati com a cabeça e até achei que seria aprazível. Só mesmo naquela, assim à loucura, ter uma vida, ter um namorado, uma 'very busy social life', um emprego para juntar à única parte que tenho - a seca da Faculdade. Mas lá está: não basta estalar os dedos, pois não?

E não é que eu esteja naquele dramatismo melancólico e inútil tipicamente português: bolas, até estou disposta a agir! Simplesmente, no momento em que até decido agir, BAM!, explode-me tudo na cara. Isso já acontece com um estalar de dedos, o que acho bastante injusto - é jogo sujo. Uma pessoa esforça-se para ultrapassar traumas ou lá o que sejam, para afastar fantasmas persistentes do Passado, consegue finalmente libertar-se e sentir-se pronta outra vez para viver e aí... Dizem-te que não, pá, é má altura, escolheste o tipo errado para estares interessada, o pessoal à tua volta não está assim tão dinâmico como isso e acabas a sentir uma atracção enorme pelo jogo de cartas 'Solitário' - que, vendo bem, não poderia ter nome mais aplicado (com excepção, talvez, do outro nome, 'Paciência'... porque é preciso muita paciência para aturar a vida).

Às vezes farto-me de viver a vida dos outros. Mas depois, se não vivo a vida através dos outros, que é que me resta? A bom ver... nada. E isso ainda é mais triste. Portanto, entre os dois males... ao menos que vá vivendo através dos outros. Sempre dá para criar a ilusão de que não me esqueci do que é sentir.

Lorelai
Música: "Must Get Out", Maroon 5

Detesto pessoas falsas. Odeio aquela sensação te termos confiado em alguém, de termos pensado que encontrámos um amigo e de repente isso tudo nos rebentar na cara, aquela vozinha irritante no fundo da nossa consciência a perseguir-nos dias a fim, "Eu bem te disse, eu bem te disse"...

Detesto continuar a enganar-me com as pessoas. Mas porque é que eu confio em pessoas que, vendo bem, eu mal conheço - e que a cada segundo que passa, só demonstram que não me conhecem, de todo?

Não vale a pena. Ilusões, já me chegam as que vagueiam constantemente pela minha cabeça. Não preciso que aqueles que se auto-intitulam "meus amigos" o sejam também.

Estou farta deste espaço pequeno em que estou há demasiado tempo, o ar começa a faltar-me, estou a sufocar. Preciso de sair daqui, preciso de me encontrar.

Preciso de mim.



(Como seria bom entrar simplesmente num avião e partir para Londres de novo... Sozinha, sem nada nem ninguém a prender-me, só eu com os meus sonhos, comigo...)
Lorelai
Música: "Un'Emozione Per Sempre", Eros Ramazzotti


Bem... Fiquei absolutamente sem palavras. Em boa verdade, não fazia a menor ideia do que se passava quando, após um fim-de-semana sem net, cheguei à minha caixa de correio e tinha, no mínimo, uma boa dezena de comentários a respeito desde blog - que, devido a bloqueio de escritora associado simplesmente à vida (um sonho por Itália, regresso à Faculdade...), não tinha uma única entrada desde Junho. Ao ler tudo o que me escreveram, para além de que fiquei totalmente apática e (confesso...) com lágrimas nos olhos, comecei a ouvir a engrenagem do meu cérebro a funcionar: aparentemente, o meu blog passara de novo na Comercial (desta vez não me contactaram, não fazia ideia). Só que continuo sem ter a certeza se foi isso que aconteceu: a página não foi actualizada e portanto não tenho forma de sabê-lo... Enfim, não deixou de ser uma das surpresas mais agradáveis que já tive, porque este cantinho já fazia falta!

Não posso fazer mais do que agradecer-vos infinitas vezes as vossas palavras. Continuo a achar que são demasiado simpáticos e que não mereço tantos elogios, mas é inexplicável o que sinto ao ler quando vocês afirmam que as minhas palavras vos tocam. Esse é, sem a menor sombra de dúvida, o elogio maior que podia receber, aquele que com mais carinho guardo no coração.

Têm sido tempos difíceis, velozes e vazios, algo mecanizados e com pouco coração. Daí que tenha ainda mais a agradecer os inúmeros comentários que continuo a receber, porque me fizeram sorrir e chorar em simultâneo, fizeram-me sentir viva e deram-me ainda mais força para lutar pelo meu sonho mais antigo; porque o comentário que me tocou mais fundo (sem querer descurar nenhum dos outros) foi o último que recebi até agora:

Duarte said...
E um livro nao estás a pensar em escrever? Devias. Beijo e boa sorte ;)

O motivo é simples: desde que sei o que ler e escrever é - ou seja, desde que me lembro de "ser gente" - o meu desejo mais profundo é tornar-me uma escritora. Daí que uma espécie de vozinha a clamar pelo meu sonho mais antigo encontre muito facilmente o caminho certeiro para tocar-me profundamente.

De facto... posso apenas dizer que vos agradeço profundamente. E, apesar do ritmo acelerado em que agora me encontro, espero conseguir encontrar o tempo para continuar a vir aqui. Por mim, pelas vossas palavras.


Obrigada :)
Lorelai
Música: "Sunday Morning", Maroon 5

Acordei como se me tivessem chamado suavemente, totalmente descansada e em paz com a vida. O meu primeiro pensamento foi para a vida, para o Mundo, para algo que não uma pessoa em particular. Fiquei alguns segundos a ouvir a chuva cair lá fora, depois levantei-me para abrir as portadas, deixei a ténue luz esbranquiçada de nevoeiro entrar pelo quarto. Voltei para o meio dos lençóis, encostei a cabeça na almofada e fiquei ali a ouvir um pouco mais as gotas de encontro às telhas, vendo agora a água cair atabalhoadamente.

O que mais adoro neste momento é a perfeita sintonia entre a Natureza, a chuva no meio de Junho, e o meu estado de espírito, tão confuso, feliz mas triste, enérgico mas melancólico. Só momentos depois de despertar, ao ficar a olhar pela janela na quente preguiça de fim de semana, é que me recordo daqueles olhos azuis perfeitos. Soube bem viver as últimas semanas sem pensar no Passado, importando apenas a felicidade de cada pedaço de vida, sem lamentar oportunidades perdidas há muito tempo, sem indagar os mil porquês de coisas agora sem o mínimo de sentido. E tudo por causa daqueles olhos azuis.

Acabou, como tudo o que é bom na vida. Mas penso que é mesmo como dizem: os momentos perfeitos não duram para sempre, duram apenas o tempo necessário para se tornarem inesquecíveis. E isso, claramente, aconteceu. As últimas semanas hão-de ficar sempre comigo.

Obrigada por me libertares do Passado e me mostrares o Mundo que ainda está aí fora.

:)
Lorelai
Música: "Killing Loneliness", HIM

Aquele peso no peito, um aperto no coração, as lágrimas a bailarem nos olhos e a teimarem em quererem saltar, um vazio, aquele vazio, vazio inexplicável. Não há palavras para descrever este estado de espírito. E eu nem sei porque é que estou assim.

Não és tu, já não és tu, já é mais que tempo que não sejas tu - e não és, ainda que quando me sinto assim ainda pense em ti. Mas não é por ti, não tem nada a ver contigo. Só que também não sei com o que é que afinal este sentimento de pura letargia, tristeza ou vazio - ou até mescla de tudo isto - está ao fim e ao cabo relacionado. Odeio esta sensação de completa inutilidade, de ridículo, de solidão. Acaba por ser isso mesmo: solidão. Nunca estive tão bem e nunca estive tão feliz - nunca tive tantas pessoas absolutamente perfeitas do meu lado. E sei que estou bem. Só que falta algo, falta-me um pedaço e já não sei onde o encontrar.

Talvez o melhor seja mesmo nem procurar. É inútil - e para inutilidade já me chega o resto, já me chega este sentimento perdido por aqui e que insiste em ficar. Assim, talvez seja mesmo melhor sacudir esta tristeza, levantar os olhos e fitar o céu, por mais nublado que esteja - porque sempre é uma perspectiva diferente. Mais vale ficar-me pelas pequenas coisas que me vão fazendo sorrir todos os dias, mais vale ir vivendo através da vida dos outros, sentir emoções diferentes apenas através dos outros. É mais seguro e provavelmente é o que me está de facto reservado. E ao menos assim não dói quando a desilusão bate à porta.
Lorelai
Música: "Radio", The Corrs (simplesmente porque fica apropriado, não?)


Parece que é mesmo verdade: a minha Caixinha de Sapatos cibernética passou na
Rádio Comercial este fim-de-semana, com as musiquinhas tal e qual como pus aqui no blog. Não há palavras para explicar a sensação de ouvir as nossas palavras, que nos trazem tantas memórias, pela voz de outra pessoa, acompanhadas no fim por músicas tão especiais. Obrigada, Rádio Comercial, por seleccionarem este meu espaço.

Agradeço desde já os comentários demasiado simpáticos que já recebi: a sério, não mereço assim tanto! De qualquer modo, mil obrigados pelas vossas palavras que, confesso, me emocionaram bastante. A importância da escrita para mim é indiscritível, e saber que as minhas palavras chegam a alguém da forma que afirmaram ter chegado... É tudo. E sabe mesmo bem ter a noção de que há mais pessoas que sentiram o mesmo que eu. Obrigada!

Espero que estas palavras que por aqui vou deixando vos continuem a fazer algum tipo de companhia. E mais uma vez... obrigada!
Lorelai
Música: "Quem Me Leva Os Meus Fantasmas", Pedro Abrunhosa

Volta. Olha-me mais uma vez, dá-me só mais um abraço, beija-me por um segundo que seja. Sorri-me em toda a nossa cumplicidade, mostra-me de novo esse paraíso no teu olhar. Enfeitiça-me ainda com esse perfume só teu, queima-me com os arrepios do teu toque. Faz-me rir, faz-me chorar, faz-me querer partir e não ir. Agarra-me, só para me largares no instante seguinte. Ri-te, chora - mas ri-te e chora comigo. Traz-me de novo sonhos pintados no céu, dá-me só mais uma vez a lua daquela noite, regressa para um único amanhecer apenas. Odeia-me, ama-me; permite-me amar-te, odiar-te, sentir todo um turbilhão demente de emoções. Ignora-me, ouve-me, desaparece e chama-me. Traz-me essa tua voz tímida só mais uma vez. Esquece-me, não me ames... mas volta. Volta.